O câncer em pessoas jovens está realmente aumentando?

Por Dr. Bruno Schmidt

EDIÇÃO 30

4/16/20262 min read

Se você tem essa impressão, saiba que ela tem fundamento. Embora o envelhecimento continue sendo o principal fator associado ao desenvolvimento de câncer, médicos e pesquisadores têm observado um fenômeno preocupante: alguns tipos da doença estão sendo diagnosticados com maior frequência em pessoas com menos de 50 anos.

Durante muito tempo o câncer foi considerado uma doença da terceira idade. Hoje, médicos estão vendo algo diferente: pacientes cada vez mais jovens nos consultórios.

Um grande estudo publicado na revista científica BMJ Oncology analisou dados globais e mostrou que os casos de câncer nessa faixa etária aumentaram cerca de 79% entre 1990 e 2019. Apesar desse crescimento, é importante destacar que a maioria dos casos ainda ocorre em pessoas mais velhas.

Entre os tumores mais frequentemente diagnosticados em pacientes jovens destacam-se os cânceres de intestino, pâncreas, estômago e mama.

As causas desse fenômeno ainda não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que exista uma combinação de fatores ligados ao estilo de vida moderno.

Entre eles estão o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e pobres em fibras, além de carnes processadas. A obesidade e o sedentarismo também têm sido associados a maior risco para diversos tipos de câncer.

Outro campo de pesquisa em crescimento envolve as alterações da microbiota intestinal — o conjunto de bactérias que vivem no nosso intestino. Mudanças na alimentação, uso frequente de antibióticos e hábitos de vida podem alterar esse equilíbrio, favorecendo processos inflamatórios que, a longo prazo, podem contribuir para o desenvolvimento de doenças.

Além disso, pesquisadores também investigam o papel de fatores ambientais carcinogênicos, como poluição, exposição a substâncias químicas e contaminantes presentes em alimentos e embalagens.

Um dos exemplos mais marcantes desse fenômeno é o câncer de intestino (câncer colorretal). Nos Estados Unidos, ele já se tornou uma das principais causas de morte por câncer entre adultos jovens.

A boa notícia é que esse tipo de tumor geralmente se desenvolve lentamente a partir de lesões benignas chamadas pólipos, que podem ser identificadas e removidas durante a colonoscopia. Por causa do aumento de casos em adultos mais jovens, algumas diretrizes médicas passaram a recomendar que o rastreamento da doença — tradicionalmente iniciado aos 50 anos — comece aos 45 anos.

Outro desafio é que, em pacientes jovens, os sintomas costumam ser ignorados ou atribuídos a problemas benignos. Na maioria das vezes esses sinais realmente não indicam câncer, mas quando persistem merecem avaliação médica.

Entre os principais sinais de alerta estão:

· sangue nas fezes

· perda de peso sem causa aparente

· dor abdominal persistente

· alteração recente do hábito intestinal

· anemia sem causa identificada

· dificuldade para engolir ou vômitos persistentes

O aumento da incidência de câncer em pessoas jovens não deve ser motivo de pânico, mas sim um alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Embora nem todos os cânceres possam ser evitados, várias medidas ajudam a reduzir o risco da doença. Entre elas estão manter alimentação equilibrada, rica em fibras e alimentos naturais, controlar o peso corporal, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool e praticar atividade física regularmente.

Além disso, a realização de exames preventivos quando indicados continua sendo uma das estratégias mais eficazes para detectar lesões precoces e aumentar as chances de tratamento curativo.